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Meu acesso ao Projeto "Pesquisa Ação - Pernambuco de Todas as Histórias"

Bem-vindo ao meu blog! Hoje, desejo dividir uma experiência  que tive ao acessar a obra "Pesquisa Ação - Pernambuco de Todas as Histórias", do talentoso Produtor Cultural, Artista Plástico e Grão Mestre da Nova Ordem de Cristo Maxuel Rodrigues de Moraes. Este projeto fascinante mergulha nas diversas narrativas e culturas que compõem o rico mosaico pernambucano, revelando não apenas a história, mas também as vozes e as vivências de seu povo. Ao longo deste texto, convido você a conhecer um pouco mais sobre essa pesquisa, que traz à tona a importância da valorização das memórias e identidades locais. Vamos juntos explorar as histórias que fazem de Pernambuco um lugar tão especial!



PROJETO PERNAMBUCO DE RODAS AS HISTÓRIAS.

 

PROPONENTE : Maxuel Rodrigues de Moraes

CPC PRODUTOR CULTURAL

 DIRETOR E CINEASTA DOCUMENTÁRIO: John Wesley Pereira Paz.

ROTEIRO: Maxuel Rodrigues de Moraes.

DIRETORIA ARTÍSTICA E CÂMERA: Nadja Rodrigues Lima.

Maxuel Rodrigues de Moraes artista plástico , curador de artes , presidente da Associação as Forças do Bem e presidente do Museu do Homem Campo .

Iniciou profissionalmente nas atividades artísticas em 1993 auto -de –data participou de diversas exposições de arte Coletivas em Pernambuco Tendo como estilo predominante o Nainff .

 

JUSTIFICATIVAS PARA O PROJETO E A PESQUISA AÇÃO:

Segundo o Blog CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Denomina-se cultura afro-brasileira o conjunto de manifestações culturais do Brasil que sofreram algum grau de influência da cultura africana desde os tempos do Brasil colônia até a atualidade. A cultura da África chegou ao Brasil, em sua maior parte, trazida pelos escravos negros na época do tráfico transatlântico de escravos. No Brasil a cultura africana sofreu também a influência das culturas europeia (principalmente portuguesa) e indígena, de forma que características de origem africana na cultura brasileira encontram-se em geral mescladas a outras referências culturais. Traços fortes da cultura africana podem ser encontrados hoje em variados aspectos da cultura brasileira, como a música popular, a religião, a culinária, o folclore e as festividades populares. Os estados do Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul foram os mais influenciados pela cultura de origem africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante a época do tráfico como pela migração interna dos escravos após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste. Ainda que tradicionalmente desvalorizados na época colonial e no século XIX, os aspectos da cultura brasileira de origem africana passaram por um processo de revalorização a partir do século XX que continua até os dias de hoje.

 

 

  PLANO DE AÇÃO CULTURAL PESQUISA - AÇÃO E SÉRIE DE CURTA METRAGENS PERNAMBUCO AFRO RELIGIOSO.

Analise da situação atuar :

Uma construção equivocada do cristianismo  , e as políticas comerciais religiosas    ,  criaram políticas segregacionais ,  preconceitos , e discurso de ódios em pessoas simples , e leigas com relação às religiões de matriz Afro-brasileiras , com relação a outras religiões cristãs , o discurso de exclusivismo  Calvinista , onde pessoas de emoções doentias

Diagnosticadas e uma Cultural de desrespeito vem a séculos sendo implantadas no Brasil.

Considerando como  proposta deste projeto ação a desconstrução de tais marketings segregacionista . O projeto contribuirá para que as comunidades se apropriem das políticas culturais de suas nações e possam andar juntas na construção de um diálogo e um discurso de respeito e empatia.

A estrutura básica de um projeto cultural compreende quatro fases: conceituação, planejamento, execução e conclusão.

Um projeto cultural pode ser classificado por área em um respectivo segmento cultural, como dança, música, teatro, artes plásticas e visuais, artesanato, leitura escrita e oralidade, patrimônio cultural, entre outros.

O PROJETO PERNAMBUCO DE TODAS AS HISTÓRIAS , NO SEU AMBIENTE DO PERNAMBUCO AFRO BRASILEIRO, busca utilizar todos os recursos da cultura para a desconstrução destas políticas econômicas religiosas que visam um apartaide filosófico.

A quem e para que serve os discursos de ódio , quem é que está ganhando financeiramente com a desunião e a falta de respeito entre seres humanos?

Qual o real interesse em demonizar e criar o desrespeito pela cultura e a religiosidade Afro Brasileira .

Usaremos as artes visuais , as artes plásticas ,  literatura , dança, moda, gastronomia , o audiovisual , a pesquisa histórica, científica e cultural para a desconstrução deste negócio multimilionário que é a separação de pessoas por pensarem diferente . Qual o negócio ou a empresa que cria arquétipos que geram medo e antipatia ao diferente , ao desconhecido.

De que estes investidores financeiros do ódio tem medo ?

Porque é tão importante para seus negócios multimilionários que as pessoas permaneçam , gerando ódio as culturas e religiosidades que desconhecem?

O projeto que estamos iniciando é um pequeno cinzel a desbastar esta pedra tão bruta e arcaica que é o preconceito. O projeto que iniciamos é uma pequena pedra de uma imensa pirâmide.

Mas como uma pedra de pirâmide pesa milhares de toneladas.

Somos uma força cultural que se inicia no trabalho de reeducação para um mundo com seres humanos realmente humanizados.

 

 

PESQUISA AÇÃO CULTURAL VISITA TÉCNICA 22 DE FEVEREIRO DE 2025.

 

 

Neste dia  22 de Fevereiro de 2025 a convite do Babalorixá Adson  "Ojulomin".      participei do Xire e Louvação a Yemanjá  realizado pela Casa Nagô  Vodun Egba Omim Orum Bessen e Osun fundada em 2001 , lá chegando encontrei,Ekedji Fernanda "Omin orô" , onde eu , e minha Irmã Nadja Lima diretora artística do Projeto  Pernambuco de todas as Histórias  , Nadja Lima também é pesquisadora das religiões e da cultura afro-brasileira fomos muito bem recebidos.

 

Segundo informações de Nadja Lima o candomblé sobrevive até hoje porque não quer convencer as pessoas sobre uma verdade absoluta. Para o etnólogo com sangue baiano Pierre Verger, falecido em 1996, ao contrário da maioria das religiões, esse culto de origem afro-brasileira,

com mais de quatro séculos de história, confere certo grau de dignidade aos descendentes de escravos como nenhum outro rito.

De acordo com uma sondagem do IBGE, 2% dos brasileiros se identificam como umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras ou seja ,4.300.000 ( Quatro milhões e trezentas mil pessoas ) as populações de Roraima e Alagoas juntas sendo membros de religiões Afro-brasileiras.

O que são as religiões afro-brasileiras?

As religiões afro-brasileiras têm nomes diferentes dependendo do lugar e do modelo de seus ritos.

O candomblé é uma das religiões afro-brasileiras mais conhecidas no Brasil.

O candomblé começou na Bahia com a chegada dos africanos escravizados.

A umbanda, a quimbanda, o candombe, o omolocô são outras religiões de matriz Africana.

 

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem mais templos religiosos do que hospitais e escolas juntos.

Em 2020, 50% dos brasileiros eram católicos, 31% evangélicos, 10% não tinham religião, 3% eram espíritas, 2% eram umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras, 2% eram outra religião, 1% eram ateus e 0,3% eram judaicos.

 

Segundo Pierre Verger o qual eu adquiri um livro denominado ORIXÁ . O livro faz parte de um aquisição de 20 livros que fiz para a minha pesquisa do Projeto Pernambuco de Todas as Histórias , segundo Verger  pode ter a ver, inclusive, com o fato dessa religião ser também admirada pelos brancos. Sem perder de vista, é claro, e não deixando de considerar toda a essência ritualística e da vasta riqueza dessa tradição iorubá (grupo étnico da África Ocidental que influenciou o candomblé local).

 

 

De acordo com os organizadores da caminhada dos terreiros de matriz africana e afro-brasileira do Estado, ocorrida em novembro no Marco Zero do Recife de 2024.

A Caminhada dos Terreiros de Pernambuco é um movimento que reivindica respeito e valorização às religiões de matriz africana. Em 2024, a 18ª Caminhada dos Terreiros de Pernambuco aconteceu no dia 1 de novembro de 2024.

Objetivos da Caminhada dos Terreiros

Luta contra o racismo religioso

Fortalecimento das religiões de matriz africana

Despertar a consciência para o respeito à diversidade religiosa

Garantir direitos e respeito às religiões de matrizes africanas.

Durante a Caminhada aconteceram as seguintes atividades .

Apresentações culturais

Palestras

Mesas redondas

Oficinas

Reivindicações políticas

Articulações em prol dos direitos das comunidades afro-religiosas

Apoio à Caminhada dos Terreiros . Discurso da Deputada Dani Portela, e da Ialorixá Mãe Elza.

Lei Estadual das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas

Em Pernambuco, foi aprovada a Lei Nº 18.265, que estabelece o Dia Estadual das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé.

A proposta tem o objetivo de lutar contra a intolerância religiosa, depois da Bahia, Pernambuco é o segundo estado com maior contingente de negros do País. O Estado ainda é autoproclamado como o de maior população de candomblé, umbanda e jurema (outros dois ritos de matriz africana); e como um dos estados de maior culto no País dessas religiões.

Somente aqui existem cerca de 800 terreiros vinculados à Abycabepe, que tem como ponto central o Museu da Abolição da Madalena (Zona Oeste do Recife)", afirma o presidente da Associação dos Babalorixás e Yalorixás dos Cultos Afros do Estado de Pernambuco, Manoel do Nascimento Costa, o pai de santo do Terreiro de Pai Adão. Segundo "Papai", como é conhecido, somente ligado diretamente à Casa de Água Fria existem cerca de 65 pessoas, todas descendentes de populações quilombolas e com ancestrais africanos vivendo no mesmo terreiro. Todos participando efetivamente da rotina de reverências às divindades sagradas, que não são diárias, na verdade, acabam sendo bem ocasionais.

 

No candomblé não existe vida pós-morte e tudo é guiado por uma lei de santo. São regras de conduta, principalmente a ser cumprida dentro dos terreiros, que não estão contidas em nenhum tipo de livro sagrado, e que podem variar de terreiro para terreiro. "Apesar desse aspecto difuso, as práticas estão completamente fundamentadas em uma rica mitologia transmitida de geração a geração", afirma o pesquisador da Universidade de São Paulo, Armando Vallado, a partir de um amplo estudo sobre o tema, que vincula a forte hierarquia dos terreiros aos conflitos que surgem nas estritas regras que são impostas aos filhos de santo, tudo em nome da fé nos orixás, invocados principalmente através das cantigas de xirês durante os festejos religiosos (os toques).

CARTAZ DO XIRÊ E LOUVAÇÃO A YEMANJÁ DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN



BRASÃO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN

 

Durante o Xirê fui apresentado pelo Babalorixá Adson  "Ojulomin" , ao Babalorixá Pai Naldo , conhecido por todos como ( Pai Naldinho). E fiquei

impressionado com os conhecimentos que o mesmo me repassou sobre o Candomblé, Pai Naldinho me falou sobre o Candomblé e da sua Nação dentro do candomblé .

BABALORIXÁ PAI NALDO E O ARTISTA PLÁSTICO E PESQUISADOR MAXUEL RODRIGUES.

 

A Casa Nagô  Vodun Egba Omim Orum Bessen é uma casa de Candomblé.

O candomblé é uma religião afro-brasileira em que se pratica o culto de divindades de origem africana chamadas orixás.

 

Assim, apesar de ter nascido na Bahia, no século XIX, o candomblé foi formado a partir de tradições religiosas africanas de povos iorubás.

 

Essas tradições foram trazidas ao Brasil por populações negras escravizadas vindas de países da África Ocidental, como Nigéria, Benin e Togo.

Os rituais do candomblé são realizados em locais de culto denominados terreiros, liderados por um Babalorixás também conhecidos como pai ou mãe de santo. Durante as cerimônias, chamadas de toques, os participantes cantam e dançam, e os filhos-de-santo incorporam os orixás.

 

Boa parte dessas cerimônias seguem um calendário fixo e são feitas em homagem às divindades.Os candomblecistas (nome que se dá aos adeptos do candomblé) dividem-se em nações, entre as quais a congo, nagô, angola, ijexá, jeje e ketu. As nações são segmentos da religião e se diferenciam entre si por seus rituais, canções e vestimentas.

 

O candomblé baiano não é a única religião nascida das tradições dos povos iorubás. Em Pernambuco, o culto aos orixás é chamado de xangô; no Rio Grande do Sul, de batuque; no Maranhão, de tambor-de-mina.

 

Esses cultos afro-brasileiros, bastante semelhantes, são genericamente chamados de religiões dos orixás.

Os Orixás são divindades cultuadas em religiões africanas e brasileiras de matriz africana. Há várias compreensões diferentes sobre esse tema..

“O Candomblé é uma religião, dentro da sua religiosidade, os Iorubás acreditam que o criador supremo com sua sabedoria fez o homem à sua semelhança. Queria que fosse a sua perfeição, determinou sua vida aqui na terra, deixou também formas que pudesse conhecer os seus destinos e trajetória, desta forma poderia minimizar os seus sofrimentos”.

 São associados a forças da natureza, ancestrais divinizados ou energias divinas. Alguns dos orixás mais famosos são: Xangô, Exu, Iemanjá e Iansã, apesar de existirem muitos outros.

 

Candomblé, umbanda, casas de Ifá, batuque gaúcho e tambor de mina são alguns exemplos de religiões que acreditam nos orixás, e cada uma tem o seu entendimento próprio sobre essas divindades. Por exemplo, no candomblé, os orixás estão diretamente ligados à ancestralidade e são seres pessoais; já na umbanda, a compreensão dos orixás se dá de uma forma mais energética e com o caráter de ancestralidade menos central.

 

 Para descobrir seu  orixá, existem vários métodos, a depender da religião em que se está inserido. Via de regra, são realizadas consultas oraculares que seguem tradições de milhares de anos, ensinadas aos sacerdotes e sacerdotisas após anos de prática religiosa.

 

 

 

Exu

Oxalá

Odudua

Olodumarê

Ogum

Oxóssi

Oxum

Oxumarê

Ossaim

Xangô

Iansã

Iemanjá

Nanã Buruku

Omulu

Obá

Logun-Edé

Ibejis

Orunmilá

Ajé Salunga

Onilé

Irôko

 

Os orixás são divindades trazidas da África que conquistaram espaço na cultura brasileira.

 

Existem centenas deles, mas apenas alguns foram trazidos e são cultuados no Brasil.

 

São associados aos elementos da natureza e ao desenvolvimento da civilização humana.

 

Várias atribuições são dadas a eles, desde cuidar das crianças, das comunidades que o cultuam e até do mundo como um todo.

 

Umbanda e candomblé são religiões brasileiras com visões diferentes sobre os orixás.

 

Há várias formas de se descobrir qual é o orixá de uma pessoa, mas todas exigem o acompanhamento de um sacerdote.

 

Eles possuem suas características próprias, e isso pode ou não influenciar os seus filhos.

 

Os escravizados brasileiros e africanos foram obrigados a sincretizar os orixás com os santos católicos para poderem praticar as suas religiões, ainda que escondidos.

 

Existem muitas histórias de origem dos orixás que revelam aspectos da filosofia das religiões africanas e de matriz africana.

 

As divindades africanas Orixás  vieram para o Brasil na diáspora dos povos da África para as Américas. Inicialmente, eles eram cultuados por povos da região da Nigéria e do antigo Daomé, atual Benim.

 

A sacerdote Olori Iyánìfá Ifásèyé Odúsòlá Oládèyì Awólólá, da Comunidade de Ifá Egbe Agboniregun, em Senador Canedo (Goiás), afirma que:

 

Em toda a cosmologia yorubá e outras, nossas divindades são denominadas Òrìsàs, que, a partir de crenças muito remotas e de construção civilizatória dos povos, crenças e mistérios, se constituem na nossa compreensão da nossa força sagrada que habita no físico da materialidade das forças da natureza.”

 

Já o pai Pablo de Ogum, do terreiro de umbanda Luz de NZambi, em Aparecida de Goiânia (Goiás), diz:

 

Na nossa concepção, orixás são irradiações de uma energia divina. De uma forma mais básica, orixás são fragmentos de energia de um Deus maior, de um ser supremo, cada orixá representa a manifestação da natureza. Por exemplo, Oyá é senhora dos ventos das tempestades; Oxóssi é o senhor das matas; Oxum rege as cachoeiras; Iemanjá, os mares, e assim por diante.

 

As histórias dos orixás são chamadas de itãs, preservadas há milhares de anos pela tradição oral das religiões africanas e de matriz africana, assim como os seus processos ritualísticos de culto, suas músicas, seus costumes e suas indumentárias.

 

Acredita-se que Olodumarê (ou Olorum) tenha sido a primeira dos orixás e responsável pelo surgimento de todos os outros de forma indireta ou direta. Os orixás estão associados a elementos da natureza como o fogo, a água, a terra e o ar, e também podem ser ancestrais divinizados.

 

Determinar a quantidade de orixás existentes é uma tarefa bem complicada, pois isso depende da região em que se está. Estima-se que existam centenas de orixás na África, alguns relatos falam em 150, e outros em mais de 400, mas a maioria deles não foi trazida para o Brasil.

 

No Brasil, a quantidade pode variar entre 20 e 30 orixás cultuados, isso pode depender das tradições e regras da casa em que se está. É importante lembrar que existem várias religiões que cultuam orixás, como o candomblé, a umbanda, o batuque gaúcho, a quimbanda, as casas de Ifá, entre outras.

 

Também é necessário dizer que existem nações do candomblé que cultuam entidades com outros nomes, como os inquices, trazidos pelos povos bantos, e os voduns, trazidos pelos povos euê-fom.

 

Segundo Marcelo Marques, ogã de candomblé e dirigente do Quilombo Cultural Orum Aiyê, em Goiânia, ainda podemos falar das qualidades dos orixás. Ele dá o exemplo de Xangô:

 

“Não existe um Xangô só, existem milhares de Xangôs e existe Xangô nas suas qualidades. A cosmovisão é totalmente politeísta, não existe unidade em nada.

 

Ou seja, ao mesmo tempo, ele é um e vários, porque Xangô tem as características de Xangô, mas Xangô Agodô, mesmo com as características de Xangô, é um Xangô mais velho, então ele tem características que trazem a velhice de Xangô.

 

Da mesma forma, o Aganju é um Xangô mais novo, ele é um rei, um soberano. Não é um Xangô menino. Tem ainda o Xangô mais jovem, quando ele é menino, aí ele vai ter características que envolvem isso. Então todos eles são Xangôs e todos são qualidades de Xangô.”

 

De acordo com a sacerdote da Comunidade Egbe Agboniregun, os orixás mais cultuados no Brasil são:

 

Divindades primordiais: Èsú.

 

Água: as Iyabas — Yemonja, Osún, Obá, Oyá, Ajé Salunga.

 

Comunidade da caça: Ògún, Òsóòsì, Lógun Ède, Òsányin.

 

Fogo: Sàngó

 

Terra: Obaluaye, Nanan Buruku, Onílè.

 

Ar: Obatálá.

 

Vamos nos aprofundar em nossa pesquisa.

 

O BABALORIXÁ.

BABALORIXÁ PAI NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO.


PINTURA DE UM BABALORIXÁ.

 

Os Babalorixás ou Babalawo são aqueles que através do seu poder divinatório são escolhidos pelas divindades, pois precisam um caráter, uma personalidade compatível com sua missão, precisa ter humildade inteligência para ser iniciado no culto e intercâmbio com os orixás.

 

 

Quais são os orixás?

 

EXÚ 




 

 

 

De forma leiga e munidos de preconceitos e discurso de ódio, pessoas com a psiquê doente dizem que Exu é o diabo.

 

Mas nas religiões afro-brasileira não existe o diabo, Exu não é o diabo.

O diabo é uma teoria Judaico Cristã.

Exu é Orixá da Cultura Negro Africana Nigeriana da Cultura Negoya Uruba. É uma divindade irreverente.

Ele é aquele que transcende toda a sua concepção de construção de mundo.

É aquele que não se encaixa no olhar cartesiano tal como se fala na física quântica ele e, quântico total.

Exu é aquele que ocupa os dois últimos portais quânticos o semi fluídico e o atômico.

Exu é um homem negro vestido de vermelho e preto segurando um cajado e um chapéu.

Exu é um orixá essencial e um dos mais antigos do panteão do orixás.

Também chamado de Legba, Eleguá ou Bará, Exu é o orixá do movimento e da comunicação. É ele quem estabelece a comunicação dos humanos com os orixás, por isso é conhecido como o mais humano dos orixás. Dentro da maioria das religiões de matriz africana e africanas, antes de qualquer trabalho ou ação de maior importância, é necessário prestar oferendas a Exu para que a empreitada dê certo.

 

Exu é o orixá mais complexo de se compreender, ele é um dos primeiros a ser criado por Olodumarê (em algumas histórias, ele sequer foi criado, mas sempre existiu), e a vida só é possível por conta de sua existência, pois tudo que se move ou se comunica precisa de Exu para existir. Várias parábolas e histórias nos ajudam a compreender quem é Exu.

 

Uma delas diz que Exu matou um pássaro ontem com a pedra que apenas hoje jogou, uma outra diz que ele transporta o azeite em uma peneira sem que uma gota sequer caia. Uma terceira metáfora diz que Exu sentado bate a cabeça no teto, porém, em pé, não alcança nem o fogareiro.

 

Exu é, também, o orixá do impossível, no sentido de que ele não obedece à lógica que conhecemos. Ele é associado à fertilidade, tanto das plantações como dos seres humanos.

 

Exu também tem a função de guardião, ele é quem protege as casas, os mercados, os corpos e os caminhos. Muitas vezes, ele é associado, erroneamente, ao diabo cristão, mas Exu não tem nada a ver com a figura de Lúcifer, ele não é um opositor de Deus, nem algo que tenta destruir a humanidade.

 

Esse sincretismo tem diversas explicações, uma delas se origina ainda nos rituais praticados pelos negros escravizados no Brasil. Eles pediam justiça e proteção a Exu contra os senhores brancos, que interpretaram esses pedidos de socorro como invocações do mal, já que as ações eram dirigidas contra eles. No entanto, eram eles quem estavam escravizando e atacando os povos africanos, que, por sua vez, se defendiam com o que tinham, a religião.

 

As cores de Exu são o preto e o vermelho, e seu cumprimento é “Laroyê Exu”.

 

 OXALÁ 

É representado por um homem negro vestido de branco segurando o mundo em suas mãos.

Oxalá é o orixá que fez a humanidade e é pai de outros orixás.

Também chamado de Obatalá ou Orixalá, Oxalá foi o primeiro orixá a ser criado, ele é o responsável pela criação da humanidade. Também conhecido como O Grande Orixá ou Rei do Pano Branco, possui uma posição inconteste como um dos mais importantes deuses de origem africana.

 

Uma de suas histórias conta que Oxalá foi designado por Olodumarê a criar o mundo, e ele recebeu o poder necessário para tal atividade. Entretanto, ele se recusou a prestar oferendas a Exu antes de vir para o plano terrestre.

 

Como consequência, Exu infligiu-lhe uma grande sede, que fez Oxalá beber uma enorme quantidade de vinho de palma, embriagar-se e cair no sono. Ao saber da condição de Oxalá, Olodumarê retirou-lhe a função de criar o mundo e a designou para Odudua, restando para Oxalá a criação da humanidade por meio do barro, fornecido por Nanã.

 

A cor de Oxalá é o branco e seu cumprimento é “Êpa Babá”.

 

ODUDUA

 

Segundo Pierre Verger, em seu livro Os orixás, Odudua é mais personagem histórico do que orixá. Foi um guerreiro e fundou a cidade de Ifé.

 

Odudua teria se tornado objeto de culto após sua morte, mas dentro do culto aos ancestrais e não às divindades. Muitas teorias trabalham diversas versões de Odudua, mas uma das suas características recorrentes, quando tratado como orixá, é sua associação com a terra e o surgimento do mundo.

 

A cor de Odudua é o branco (mas há registros do uso do preto) e seu cumprimento é “Oba orum Oduduwa”.

 

OLODUMARÊ 


Olodumarê tem como imagem  um homem negro de joelhos sustentando o Sistema Solar com as mãos.

Olodumarê é o deus inicial da criação para as tradições associadas ao candomblé.

Também chamado de Olorum, Zambi ou Olofim, Olodumarê é o princípio e o destino, a criadora de todos orixás, divindade suprema de muitas culturas africanas que moldaram o candomblé e a umbanda no Brasil. Ela fica no Òrun, enquanto, nós, humanos, estamos no Aiyê; Òrun seria o mundo quântica e metafísico, e Aiyê, o plano físico da existência.

 

Existe, ainda hoje, um debate sobre o gênero atribuído a Olodumarê, pois existem itãs que a tratam no masculino assim como no feminino. Há, ainda, uma terceira opinião, que considera Olodumarê como um ser fora dos padrões binários de gênero (nem masculino, nem feminino), justamente por preceder à criação do mundo.

 

Olodumarê não mantém contato direto com os humanos, apesar de, em alguns itãs, ter sido ela quem lhes “soprou a vida”. Ela resolve muitas contendas que acabam aparecendo entre os orixás e detém o axé (asè), conceito complexo que pode ser definido como poder de realização ou força vital.

 

OGUM




FILHO DE SANTO DE PAI NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO , VESTIDO COMO OGUM.

Ogum e representada como um homem negro vestido de soldado segurando espada e escudo.

Ogum é um orixá famoso no Brasil e associado à guerra e ao trabalho.

Ogum é o orixá da guerra, da tecnologia e do ferro. Todos os trabalhos que utilizam os metais fazem parte da energia de Ogum, desde guerreiros e agricultores até os modernos técnicos de informática.

 

Ogum é um orixá civilizatório, no sentido de estar relacionado com as atividades que permitem o desenvolvimento tecnológico dos humanos. Um de seus itãs conta:

 

“Cultivou a terra e plantou

fazendo com que dela o milho e o inhame

brotassem em abundância.

Ogum ensinou aos homens a produção do alimento,

dando-lhes o segredo da colheita,

tornando-se assim o patrono da agricultura.

Ensinou a caçar e a forjar o ferro.”

 

A cor de Ogum é o azul e seu cumprimento é “Ogunhê Ogum”.

 

OXÓSSI



Oxóssi é o orixá das florestas e da caça. Exímio caçador e homem solitário, compreende o funcionamento das selvas e o comportamento dos animais.

 Habilidoso com o arco e flecha, chamado de ofá, ele também é conhecido como o caçador de uma flecha só. Em algumas histórias, é filho de Ogum, e em outras, irmão mais novo.

 Por ser caçador, é associado a muitas funções, por exemplo: trazer abundância de comida; garantir a proteção contra doenças (pois os caçadores passavam longos períodos nas matas e precisavam conhecer as ervas medicinais); descobrir assentamentos para novas cidades (pois os caçadores percorriam longas distâncias); e proteger (já que os caçadores, por muito tempo, eram os únicos a ter habilidades com armas).

 A cor de Oxóssi pode ser o verde ou o azul e seu cumprimento é “Okê arô Oxóssi”.

 

OXUM 



Oxum e representado por uma mulher negra vestida de amarelo segurando as penas de um pavão e um cordão com uma Lua minguante.

Oxum é uma orixá associada à beleza e à força feminina.

Oxum é a orixá das cachoeiras, dos rios, do amor, da beleza e dos metais preciosos. Oxum é muito associada à fertilidade, à força feminina e à conquista de riquezas.

 Uma de suas histórias conta sobre uma grande seca que caiu sobre a Terra e que, por isso, todos os orixás tentaram trazer a chuva por meio de suas magias e suplicando a Olodumarê. Contudo, nenhum deles obteve êxito ou foi atendido, até que Oxum se ofereceu para resolver o problema, mas todos caçoavam-na, pois a consideravam fraca.

 Oxum transformou-se em um pavão, e todos riram novamente, pois uma ave tão delicada não voaria até a altura de Olodumarê. Oxum ignorou a todos e se pôs a voar, voou, e suas penas começaram a queimar, mas ela persistiu e continuou voando, sua cabeça perdeu completamente as penas e as demais do corpo queimaram até ficarem da cor do carvão.

A ave que, outrora era bela e colorida, havia se transformado em um urubu careca e de penas escuras, resistindo até chegar a Olodumarê e contar sobre a seca. Olodumarê se compadeceu dos esforços de Oxum, que abriu mão de sua beleza para ajudar aos outros (que há pouco zombavam dela), e enviou a chuva para acabar com a seca.

 A cor de Oxum é o dourado e seu cumprimento é “Ora iê iê ô Oxum”.


 OXUMARÊ 

A Casa Nagô  Vodun Egba Omim Orum Bessen que  visitamos em nossas pesquisas Técnica, tendo como líder religioso o Babalorixá Pai Naldo cultua Oxumarê.

TRONO DE OXUMARÊ NA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO

 Oxumarê é a serpente do arco-íris. Ele representa a união do céu e da Terra. É muito associado às transformações e aos ciclos da vida.

 Oxumaré é um orixá da tradição iorubá, que representa o movimento, a transformação e a continuidade da vida. É também conhecido como o Senhor do Arco-íris.

Características

É o mensageiro divino que traz a água das nuvens para semear a prosperidade

É o símbolo da riqueza, continuidade e permanência

É representado por uma serpente que morde a própria cauda

É o orixá do movimento e dos ciclos vitais que geram as transformações

É a união entre o céu e a terra, o equilíbrio entre os orixás e os homens.

OXUMARÊ 



FILHA DE SANTO DE PAI NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .

 Acredita-se que seja uma divindade muito antiga e que participou da criação do mundo enrolando-se em volta do planeta e dando forma a ele. Oxumarê é representado por uma cobra que morde a própria cauda, ele é a mobilidade e a atividade. Uma de suas atribuições é produzir o movimento.

 OXUMARÊ

FILHOS DE SANTO DE PAI NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .

 

Um itã seu conta:

 

“Um dia Olodumarê contraiu uma moléstia que o cegou

Chamou Oxumarê, que da cegueira o curou.

Olodumarê temia, entretanto, perder de novo a visão

e não permitiu que Oxumarê voltasse à Terra para morar.

Para ter Oxumarê por perto, determinou que morasse com ele,

e que só de vez em quando viesse à Terra em visita, mas só em visita.

Enquanto Oxumarê não vêm à Terra,

todos podem vê-lo no céu com sua faca de bronze

sempre se fazendo arco-íris para estancar a chuva.”

FILHOS DE SANTO DE PAI NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .

 Oxumaré mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo.

Filho de Nanã Buruku, Oxumaré é originário de Mahi, no antigo Daomé, onde é conhecido como Dan. Na região de Ifé é chamado de Ajé Sàlugá, aquele que proporciona a riqueza aos homens. Teria sido um dos companheiros de Odudua por ocasião de sua chegada a Ifé.

 Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino.

 Oxumaré é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). Oxumaré mostra a necessidade do movimento da transformação.


FILHOS DE SANTO DE PAI NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .

 

Omulú é o irmão mais velho de Oxumaré, mas foi abandonado por sua mãe por ter nascido com o corpo coberto de chagas. Em tempo, não se pode condenar Nanã por esse acto, já que era um costume, quase uma obrigação ritual da época, que se abandonassem as crianças nascidas com alguma deformidade. O deus do destino disse a Nanã que ela teria outro filho, belíssimo, tão bonito quanto o arco-íris, mas que jamais ficaria junto dela. Ele viveria no alto, percorreria o mundo sem parar. Nasceu Oxumaré.

Características dos filhos de Oxumaré

 

São pessoas que tendem à renovação e à mudança. Periodicamente mudam tudo na sua vida (de maneira radical): mudam de casa, de amigos, de religião, de emprego; vivem rompendo com o passado e buscando novas alternativas para o futuro, para cumprir seu ciclo de vida: mutável, incerto, de substituições constantes.

OXUMARÊ 



FILHOS DE SANTO DE PAI NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .

 

Geralmente são magras. Como as cobras possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar, mas ‘não enxergam’. São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar suas riquezas; São orgulhosas, exibicionistas, mas também generosas e desprendidas quando se trata de ajudar alguém. Extremamente activas e ágeis, estão sempre em movimento e ação, não podem parar.

 

São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objectivos e não medem sacrifícios para alcançá-los. A dualidade do orixá também se manifesta nos seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão nas suas vidas, que chegam a ser de 180 graus, indo de um extremo a outro sem a menor dificuldade. Mudam de repente da água para o vinho, assim como Oxumaré, o Grande Deus do Movimento.


OXUMARÊ 


FOTO:ARTISTA PLÁSTICO, AGENTE CULTURAL MAXUEL RODRIGUES  AO LADO DO TRONO DE OXUMARÊ EM PESQUISA DE CAMPO NA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .

 

O SIGNIFICADO DAS CADEIRAS PARA AS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA

 

"O trono ou a cadeira do Sacerdote (que se confunde com a cadeira de seu Orixá), é símbolo máximo de poder no Candomblé. Mais que isso, símbolo sagrado, diante do qual os filhos se prostram, em cumprimento e respeito. Um Pai ou Mãe-de-santo, quando é confirmado no cargo, é sentado na cadeira, como os reis e rainhas.

 

A cadeira é o trono do terreiro, de onde a Mãe ou o Pai-de-santo governa com poderes absolutos. Depois da cadeira da Yalorixá, existem as cadeiras dos Oloiês, os Egbomis (iniciado seniores) que têm cargo no terreiro. A confirmação de qualquer um desses cargos se faz numa cerimônia pública em que o novo Oloiê é sentado em sua cadeira, sob aplausos dos presentes. Assim, sentam-se os Ogãs, as Ekedis e outras autoridades.

 

É frequente, no caso de cargos de não-rodantes, o novo dono de cadeira ser conduzido à esta pelo Orixá (incorporado em transe) a quem ele deve servir. Quando alguém vai ser confirmado num cargo, faz parte do enxoval, uma cadeira, na qual terá o direito de sempre se sentar no barracão.

 

Não é incomum ganhar a cadeira de presente de amigos e irmãos-de-santo.

A cadeira de cada um, é individual em tudo, de modo que nos terreiros pode coexistir uma profusão de cadeiras de todas as formas, materiais e acabamentos. Como o espaço do Barracão é essencial para as danças, muitos terreiros preferem recolher as cadeiras de cargo e manter apenas algumas delas, para que os Egbomis possam se sentar.

 

Somente a Mãe-de-santo e seus auxiliares de grau sênior têm cadeira e podem se sentar. Os yawós (juniores) e os abiãs (aspirantes), sentam-se no chão ou em esteiras. Sentar-se em cadeira é sinal de hierarquia, alta dignidade, obrigações cumpridas.

 

Os Orixás de Egbomis também se sentam em cadeiras, mas os Orixás dos que estão nos pontos iniciais da carreira sacerdotal sentam-se em banquinhos. A cadeira marca a diferença de tempo de iniciação, de tempo de santo, tanto para os humanos quanto para os deuses.

 

Esse costume vem da África, onde somente os reis e membros da alta corte podiam se sentar em cadeiras e bancos. O assento do rei deveria ser mais alto do que os dos demais, como se observa até hoje no Candomblé. Mas seu uso é mais generalizado, podendo ser observado como prática que vai desde os povos mais antigos até, instituições do mundo ocidental moderno.

 

O professor da antiga Universidade dispunha de sua cadeira, sua cátedra, em latim, daí o nome de professor catedrático, o dono da cátedra. Da cátedra ele ditava sua sabedoria, daí se dizer que “falava de cátedra, de cadeira". Até hoje se conserva esse costume com relação ao Papa: diz-se que o Papa fala de cátedra, da cátedra de São Pedro, e portanto o que ele diz e escreve é verdade que não pode ser contestada.

 

Falar de cátedra, significa falar com todo o poder do conhecimento, conhecimento conferido pelo estudo, pela antiguidade ou por força do mundo sobrenatural. Como o Papa, os Bispos também se sentam em cadeiras. A Catedral, é a Igreja em que se localiza a cadeira do Bispo, o Trono Episcopal. É dali, que o Bispo dirige sua Diocese.

 

Além de roupas especiais, como túnicas, capas, togas, etc.; Reis e Rainhas, Bispos, inclusive o Papa (que é o Bispo de Roma), Pais e Mães-de-santo usam muitos emblemas do seu poder: a cadeira ou trono em que se senta; coroas, mitras e adês com que cobrem a cabeça; cetros, báculos e opás, que levam nas mãos. Objetos carregados de tradição, simbologia e força mágica. Até a reforma universitária, nas décadas de 1960 e 1970, os professores catedráticos também usavam na cabeça o capelo, símbolo dos doutores. Mas a cadeira ou trono, é o símbolo máximo, pois marca o lugar de onde fala a autoridade, o ponto mais alto da assembléia, o centro do universo, o lugar do poder e da autoridade religiosa.

 

Com a morte desses donos do poder, abre-se a disputa pela cadeira, o cargo deve ser preenchido. Cada instituição tem seu modo próprio de fazer a sucessão. No Candomblé, diz-se que quem escolhe o novo chefe do terreiro é o Orixá dono da casa, mas há diversas tradições, inclusive entre os terreiros mais antigos. Com a cadeira principal vaga, abre-se quase sempre uma guerra sucessória.

 

Na sucessão, é importante o critério de senioridade dos candidatos, seu grau iniciático, seu nível de conhecimento sacerdotal. Mas isso não é suficiente.

O resultado da escolha depende da tradição sucessória da casa, do jogo político das facções, de pessoas e grupos que pleiteiam o trono da Yalorixá, da situação jurídica do terreiro, da sucessão civil sobre o espólio material, isto é, a propriedade imobiliária do terreiro, da posição assumida por possíveis herdeiros legais, que podem fazer parte ou não do grupo de culto etc.

 

Em geral, as casas não sobrevivem ao seu fundador, exceto em meia dúzia de casos, em que vários fatores confluíram no sentido de manter uma tradição publicamente atribuída e reconhecida pelo mundo fora do terreiro, como a mídia e a academia. Mas sempre haverá discordâncias, atritos, rupturas e

provável formação de novas casas pelos dissidentes que se afastam.

 

Tem sido assim desde que o Candomblé é Candomblé. Em alguns terreiros, a sucessão se faz preferencialmente em linha familiar de sangue, geralmente de mulher para mulher. Em outros, a nova Mãe ou novo Pai-de-santo é escolhido entre membros da alta hierarquia da casa, independente de laços de sangue.

Escolhido o sucessor ou sucessora que guiará os destinos do terreiro, deve-se providenciar imediatamente, uma cadeira nova em que se sentará o novo titular do posto mais alto da casa.

 

A cadeira do falecido será guardada em ambiente sagrado para reverências eventuais, ou recolhida ao museu da casa, onde poderá ser apreciada pelos curiosos e interessados, como ocorre no Axé Opô Afonjá de Salvador e em outras casas tradicionais. Rei morto, rei posto. Uma nova cadeira será o centro do novo poder."

 

Um lindo Itan sobre esse grande Orixá:

 

“A grande Divindade do Arco-Íris era um reconhecido Babalawo (Pai do Segredo). Diante de sua sapiência, prestava serviços somente ao Rei da cidade de Ifé, que de certa maneira o explorava de forma contumaz. Para o Rei de Ifé, o fato de Òsùmàrè ser o seu Babalawo pessoal já era o grande pagamento pelos serviços que ele lhe prestara, afinal ele era o Rei e, muitos queriam estar no lugar de Òsùmàrè, razão pela qual dava pequenas esmolas ao sábio Babalawo, que em nada ajudavam em seu sustento.

Assim, mesmo sendo o Babalawo do Rei, Òsùmàrè estava passando por grandes dificuldades e já não conseguia sustentar a sua família. Dessa forma, resolveu consultar Ifá (o oráculo sagrado) para outras pessoas e não somente para o Rei, assim ele conseguiria novamente poder oferecer uma vida melhor à sua esposa e filhos. Contudo, o Rei de Ifé não aprovou o que Òsùmàrè estava fazendo e, solicitou que fosse ao seu palácio. O Rei disse a Òsùmàrè que ele poderia estar feliz consultando Ifá para as outras pessoas, mas ele o Rei, estava insatisfeito e, por isso, não iria mais lhe “pagar” e não queria mais que ele fosse o seu Babalawo. Òsùmàrè ficou desesperado, pois ele sabia que bastava uma ordem do Rei e ninguém iria procurar pelos seus serviços.

Babalorixá Adson  "Ojulomin". E outros irmãos do Casa de Candomblé em momento que o ORIXÁS incorporam.

 

 

 

No mesmo dia a Divindade da Riqueza e Prosperidade Olokun Seniade, ordenou que todos os Babalawos da cidade fossem até o seu reino, para saber o que deveria fazer para ter filhos. Apesar da grande experiência dos Babalawos que lá estavam, nenhum conseguiu responder à Olokun Seniade aquilo que tanto lhe tirava o sono. No entanto, alguém lhe disse que Òsùmàrè, o Babalawo pessoal do Rei de Ifé não estava presente, recomendando-lhe que procurasse a ajuda dele por desencargo de consciência.

 

 

Assim Olokun Seniade o fez, ordenou à um mensageiro que fosse buscar Òsùmàrè no palácio do Rei de Ifé. Chegando lá, o Rei afirmou que havia dispensado os serviços de Òsùmàrè, pois ele não lhe servia mais. O mensageiro de Olokun Seniade percorreu às ruas de Ifé, perguntando por Òsùmàrè, até que finalmente ele o encontrou, o levando até o palácio de Olokun.

 

Chegando lá, Òsùmàrè consultou Ifá e disse para Olokun que teria filhos bonitos e fortes, mas que para isso, seria necessário realizar uma determinada oferenda.

 

Como forma de gratidão e agradecimento, Olokun convidou Òsùmàrè para ser o Babalawo do seu palácio, que ele seria reconhecido e valorizado pelo seu grande conhecimento. Olokun presenteou Òsùmàrè com aquilo que tinha de mais precioso, as sementes do dinheiro (Owo Eyo – Búzios) e com um pano colorido.

 

Olokun Seniade disse à Òsùmàrè que, sempre que ele usasse aquele pano, as suas cores refletiriam no céu, nascendo dessa forma, o Arco-Íris.

Essa linda história ilustra algumas importantes lições, seja sobre nossas vidas, seja sobe as Divindades. Mostra que apesar das dificuldades que parecem insolúveis, sempre existe a possibilidade de uma reviravolta em nossas vidas. Mostra ainda a razão de o Arco-Íris representar o nosso Pai Òsùmàrè, bem como, a razão da utilização dos búzios por ele e seus filhos, um grande presente de Olokun.”

 

As cores de Oxumarê são o verde e o amarelo e seu cumprimento é “Aoboboí”.

 

 

OLOKUN

OLOKUN 

TRONO DE OLOKUN  FOTO ARTISTA PLÁSTICO, AGENTE CULTURAL MAXUEL RODRIGUES EM PESQUISA DE CAMPO NA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .

 

 

 

Olóòkun ou Olokun é considerado como do sexo masculino e em Ifé como sendo do sexo feminino, divindade do mar. Depois (Olo) dos Oceanos (Okun).

 

Olokun é o Orixá Senhor do mar, é andrógino, metade homem e metade-peixe, de caráter compulsivo, misterioso e violento. Tem a capacidade de transformar. É assustador quando irritado. Na natureza é simbolizado pelo mar profundo e é o verdadeiro dono das profundezas do presente, onde ninguém jamais esteve. Representa os segredos do fundo do mar, como ninguém sabe o que está no fundo do mar, apenas Olokun. Também representa a riqueza do fundo do mar e da saúde. Olokun é um dos Orixás mais perigoso e poderoso do culto aos Orixás.

 

Diz-se que ele foi acorrentado ao fundo do oceano, quando ele tentou matar a humanidade com o dilúvio. Sempre retratado com escudo. Seu culto é na cidade de Lagos, Benin e Ile Ifé. Seu nome vem do yoruba Olokun (Olo: Depois - Okun: Mar). Representa a riqueza dos fundos marinhos e a saúde. Todo os Babalawôs devem cultuá-lo e sempre deve ser assentado com suas 18 ninfas que são suas esposas, as 9 Olossás e as 9 Olonas. Elas são ninfas da água, representa os rios, córregos, lagoas, cachoeiras, nascentes, lagoas, extensões marinhos e de águas pluviais.

 

Olóssa ou Olossa - Na Mitologia Yoruba é a divindade das lagoas. Oloxá é sensível e zelosa. É filha de Òrungan com Yemojá, mãe de Ajé Salugá. Ganhou de Olókun o poder de governar os lagos que desembocam nos mares. Ligada a Oxum e Nanã, veste-se de verde-claro e suas contas são branco cristal. É a Yemanjá mais velha da terra de Egbado, não há iniciados no Brasil. Oloxá é também considerada esposa/irmã de Olokun. Seus mensageiros são os crocodilos. Na Iorubalândia, é adorada nas Lagoas e Lagos que precedem à costa Atlântica. Alí é onde são levadas suas oferendas. Se os crocodilos as consumirem, o Orixá as aceitou. É cultuada no Brasil na Lagoa do Abaeté, Salvador, Bahia juntamente com Iemanjá que também é considera Orixá dos Lagos.

 

No Brasil é cultuada como mãe de Iemanjá e dona do mar (Olokun).

 

É cultuada nas casas de candomblé tradicionais, mas não toma parte nas festas, não são entoados cânticos no "xirê", assim como acontece com outros orixás (Orunmila, Oduduwa). São assentados mas não são "iníciados" iawos para estes orixás.

 

Com a vinda de sacerdotes africanos para o Brasil, hoje tenta-se resgatar o culto, porém sem identificação pelos fiéis. Talvez por não se ter conhecimento e sincretismo.

 

É homenageada durante a Festa de Iemanjá. Em Cuba, Olokun foi ligado ao fundo do oceanos por Oxalá pra evitar que sua força fizesse calamidades. No vodum cubano, Orokun é semelhante a Nanã Buruku que representa o principio e a mãe de Iemanjá.

 

OSSAIM

Também chamado de Ossain ou Ossanha, Ossaim é o orixá das plantas medicinais e litúrgicas. Detentor da cura e das ervas medicinais, possui um lugar de destaque, pois todos os ritos precisam utilizar plantas específicas para sua realização.

 

É muito associado à manutenção dos segredos, pois conhece as ervas e as palavras ritualísticas como nenhum outro orixá. Um dos seus itãs conta:

 

“Ossaim distribuiu folhas aos orixás

para que eles não mais o invejassem.

Eles também podiam realizar proezas com as ervas,

mas os segredos mais profundos ele guardou para si.

Ossaim não conta seus segredos para ninguém,

Ossaim nem mesmo fala.

Fala por ele seu criado Aroni. Os orixás ficaram gratos a Ossaim

e sempre o reverenciam quando usam suas folhas.”

 

Ossaim, muitas vezes, é representado com uma perna só e sendo capaz de se locomover por um redemoinho. Essas características estabelecem sua relação com a história folclórica do saci-pererê.

 

As cores de Ossaim são o verde e o branco e sua saudação é “Ewé ó, ewé ó”.

 

 XANGÔ 

 Xangô é representado por um homem negro vestido de vermelho segurando um machado na mão direita e raios na esquerda.

Xangô é um orixá imponente associado ao trovão e ao poder.

Xangô é o orixá do fogo, do trovão e da justiça. Historicamente, Xangô foi um dos reis de Oyó, cidade africana próspera e vencedora de muitas batalhas.

 

Xangô carrega consigo o osè, um machado de ponta dupla, e é associado à realeza. Orixá belo e imponente, teve três esposas, Oyá (Iansã), Oxum e Obá. Ele também é filho de Iemanjá.

 

Xangô é justiceiro, viril e pode ser violento. Ele castiga mentirosos, ladrões e malfeitores. Um itã seu conta:

 

“Xangô ganhou a guerra.

Os chefes inimigos que haviam ordenado

o massacre dos soldados de Xangô

foram dizimados por um raio que Xangô disparou no auge da fúria.

Mas os soldados inimigos que sobreviveram

foram poupados por Xangô.

A partir daí, o senso de justiça de Xangô

foi admirado e cantado por todos.”

 

A cor de Xangô é o vermelho e sua saudação é “Kaô Kabecilê”. Para saber mais sobre Xangô, clique aqui.

 

 IANSà


IMAGEM DE IANSÃ



IMAGEM DE IANSà

IMAGEM DE IANSÃ

 

Iansã é a orixá das tempestades, dos ventos, dos raios e é responsável por realizar a passagem dos mortos para o Òrun (mundo espiritual). Ela é a primeira mulher de Xangô e anteriormente era companheira de Ogum.

 

Um dos significados atribuídos ao nome Iansã é “aquela que foi mãe nove vezes”, o surgimento desse nome é associado a várias histórias. Uma delas conta que Oyá era infertil, mas que, após oferecer um carneiro como oferenda, se tornou mãe de nove filhos.

 

A sua ligação com a passagem dos mortos é explicada no surgimento do rito funerário do axexê. Um itã seu conta:

 

Um dia, a morte levou o pai de Oyá, deixando-a muito triste

A jovem pensou em um jeito de homenagear seu pai

Reuniu seus instrumentos

enrolou-os em um pano

Preparou suas comidas preferidas

Dançou e cantou por sete dias,

espalhando por toda parte, com seu vento, o seu canto,

fazendo com que se reunissem no local todos os caçadores da terra.

Na sétima noite, acompanhada dos caçadores,

Oyá embrenhou-se na mata

e depositou ao pé de uma árvore sagrada

os pertences de seu pai.

Olodumarê, que tudo via,

emocionou-se com o gesto de Oyá

e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos no caminho do Òrum

Desde então todo aquele que morre

tem seu espírito levado por Oyá.

Antes, porém, deve ser homenageado por seus entes queridos

numa festa com comidas, cantos e danças.

Nasceu assim o funerário ritual do axexê.”

 

A cor de Iansã é o vermelho e sua saudação é “Eparrei Oyá”.

 

IEMANJÁ

YEMANJÁ 


YEMANJÁ

ESTÁTUA DE YEMANJÁ NO CENTRO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO  NO DIA DO XIRÊ DE LOUVAÇÃO EM SUA HOMENAGEM.

 

Iemanjá é a orixá do mar, seu nome deriva de Yèyé omo ejá, que significa “mãe dos peixes”. Originalmente, na África, ela é filha do orixá do mar, Olokum (considerado um deus no Benim e uma deusa em Ifé). De todo modo, no Brasil, Olokum quase não é conhecido, e Iemanjá assumiu esse lugar.

 

Ela é uma orixá muito antiga e também considerada a grande mãe, dona das cabeças. É amorosa, cuidadosa, porém forte e protetora, assim como o mar. Um itã seu conta como ganhou o direito sobre todas as cabeças:

 

“Dia houve em que todos os deuses

deveriam atender ao chamado de Olodumarê para uma reunião.

Iemanjá estava em casa matando um carneiro,

quando Exu chegou para avisá-la

Apressada e com medo de se atrasar

e sem presentes para Olodumarê

Iemanjá levou a cabeça do carneiro

como oferenda.

Ao ver que somente Iemanjá trazia-lhe um presente,

Olodumarê declarou:

‘Awoyó orí dorí re’

‘Cabeça trazes, cabeça serás’

Desde então Iemanjá é a senhora de todas as cabeças.”

 

A cor de Iemanjá é o azul e sua saudação é “Odoyá Iemanjá”. Para saber mais sobre Iemanjá, clique aqui.

 

 NANÃ BURUKU 


Nanã é um dos orixás primordiais, sendo a orixá que forneceu o barro para a criação dos humanos após Oxalá tentar fazer as pessoas de vários materiais que deram errado. Ela é representada por uma senhora sábia que caminha devagar e veste roxo.

 Representação de Nanã Buruku.

Ela também é associada às águas, mas não às do mar, como Yemanjá, nem às do rio, como Oxum. Suas águas são as lamacentas e paradas dos pântanos. Nanã Buruku representa os segredos da vida e da morte, a sabedoria das mulheres antigas e a força da ancestralidade.

 

A cor de Nanã é o roxo e sua saudação é “Salubá”.

 

 OMULU 

OMULU

OMULU

 

Omulu (filho do Senhor), Obaluaê (rei dono da Terra) e Xapanã são os nomes do orixá das doenças e da cura. Ele é filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá.

 

Seu culto e o de Nanã têm indícios de terem precedido ao de outros orixás, pois os sacrifícios feitos em seus rituais não utilizam o ferro, o que indicaria que foram desenvolvidos antes da chegada de Ogum.

 

Um de seus itãs conta sobre sua relação com a doença e com a cura:

 

“Um dia chegou ao Daomé, onde reinava um cruel tirano.

O rei sem coração estava morrendo de peste.

Todos já sabiam que a peste e Xapanã eram a mesma coisa.

O rei mandou que levassem Xapanã a seu palácio.

Ao ver Xapanã, o rei prostrou-se a seus pés

e pediu perdão por todas as suas atrocidades.

Xapanã fez oferendas e Olofin mandou a chuva.

E a chuva cavou um buraco aos pés do governante

e o buraco tragou todas as más ações do enfermo rei

O rei foi curado de seus males.

Xapanã foi adorado e respeitado nas terras do Daomé,

onde é sempre precedido por Exu.

Lá ele ocupa lugar importante no tabuleiro de Ifá.

Lá Xapanã foi chamado Obaluaê, o senhor da Terra.”

 

As cores de Omulu são o ocre das palhas e o preto e sua saudação é “Atotô”.

 

OBÁ

OBÁ

 

Obá é uma orixá guerreira, ela é a dona das águas revoltas e uma das mulheres de Xangô. Assim como as outras duas, foi mulher de Ogum anteriormente. Ela ficou conhecida por ser melhor que os orixás masculinos em batalha.

 

Um itã conta que ela já havia desafiado e derrotado grandes orixás, como Oxalá, Xangô e Orunmilá. Até que ela desafiou Ogum, que, ciente da habilidade da guerreira, consultou-se com um sacerdote, que lhe disse para deixar o chão escorregadio antes da batalha. Ogum assim o fez, e apenas por isso conseguiu derrotar Obá.

 

As cores de Obá são o vermelho e o branco e sua saudação é “Obá siré”.

 

 LOGUN-EDÉ

FILHO DE SANTO VESTIDO COMIGO LOGUN-EDÉ FILHO DO BABALORIXÁ NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO 



FILHO DE SANTO VESTIDO COMIGO LOGUN-EDÉ FILHO DO BABALORIXÁ NALDO DA CASA NAGÔ VODUN EGBA OMIN ORUN BESSEN OSUN EM LAJEDO .IMAGEM MAXUEL RODRIGUES.

 

Logun-Edé é o príncipe dos orixás e filho de Oxum com Oxóssi (em algumas histórias, seu pai é Obatalá), mas foi criado por Ogum e Iansã. É um orixá caçador, pescador e muito associado à beleza e às artes, ao mesmo tempo que possui relação com a guerra.

 

No Brasil, foi atribuída a ele uma figura jovial, bem representada pelo seguinte ditado: “Logun-Edé é o santo menino que velho respeita”. Por haver itãs em que Logun-Edé passa seis meses com a mãe e seis meses com o pai, ele carrega, além da própria identidade, as características de seus genitores.

 

Logun-Edé, na África, é também representado como um príncipe guerreiro, eficaz, de idade adulta e do sexo masculino. Ele tem as características de Ogum e Oxóssi, sem perder a sua ligação com Oxum, outro ditado sobre Logun-Edé é que ele “dança como luta e luta como dança”.

 

As cores de Logun-Edé são o azul e o amarelo e sua saudação é “Loci loci Logun”.

 IBEJIS

IBEJIS


Os Ibejis são dois irmãos gêmeos, representados ainda na fase infantil. São os orixás da alegria, da inocência e das crianças.

 

Conhecidos pela sua astúcia, são dois dos únicos a derrotarem Exu em um desafio. O itã conta que Exu foi a uma aldeia, desafiou a todos os guerreiros e os venceu. Os Ibejis ficaram sabendo do grande feito e se prepararam para pregar uma peça em Exu.

 

Um dos gêmeos ficou na estrada esperando Exu, e o outro se escondeu na mata. Quando Exu passou, um dos Ibejis o chamou para um desafio no tambor, ele tocaria e Exu dançaria. Quem se cansasse primeiro, perderia. Exu aceitou o desafio e eles começaram.

 

Entretanto, quando um Ibeji se cansava, ele trocava de lugar com o outro sem que Exu percebesse. Assim eles foram se alternando, até o orixá do movimento se cansar e desistir.

 

As cores dos Ibejis são o verde, o azul e o rosa e sua saudação é “Bejiróó! Oni beijada!”.

 

 ORUNMILÁ


ORUNMILÁ 




 
ORUNMILÁ

Orunmilá é uma divindade oracular associada ao destino e ao conhecimento. De acordo com Marcelo Marques, dirigente do Quilombo Cultural Orum Aiyê, Orunmilá é um orixá e mensageiro de Olodumarê, é a testemunha que conta tudo que Olodumarê fez na criação do Universo.

 

De acordo com a tradição, Orunmilá foi o chefe conselheiro de Odudua. Ele é considerado a testemunha de todos os destinos.

 

Orunmilá tem a permissão e os conhecimentos necessários para consultar o oráculo. Em inúmeras histórias, ele é quem aconselha os orixás e os ajuda a conquistarem o que desejam ou a se protegerem de ataques.

 

As cores de Orunmilá são o verde e o amarelo e sua saudação é “Òrúnmìlà Olúwa Ifá nípá mo pè”.

 

AJÉ SALUNGA

AJÉ SALUNGA 

AJÉ SALUNGA

Orixá da riqueza e da prosperidade. De acordo com a sacerdotisa Mariana de Oxumarê, apesar de estar associada ao dinheiro, Ajé Salunga não pode ser comprada nem convencida por grandes oferendas. Ela olha a persistência e as ações de quem lhe pede ajuda.

 

As cores de Ajé Salunga são o verde-claro e o azul e seu cumprimento é “Ajé o Ajé o”.

 

ONILE 

ONILE 



ONILE

 

Onilé é a orixá da Terra. É filha de Olodumarê e representa a origem de toda a vida bem como seu destino final.

 

Um itã seu conta como ganhou o domínio sobre a Terra. A história diz que Olodumarê deu uma grande festa e pediu que os orixás se arrumassem da melhor forma possível.

 

Todos foram vestidos da melhor forma que conseguiram, Oxóssi se cobriu de peles e de plantas; Iemanjá, de conchas e espuma do mar; Ogum vestiu uma armadura reluzente; Oxum se vestiu das águas do rio, e assim por diante. Menos Onilé, pois ela entrou em uma cova profunda e lá ficou.

 

Quando Olodumarê foi dividir o mundo com os orixás, deu a cada um o domínio sobre aquilo que vestira. Como Onilé havia demonstrado humildade e se escondido dentro da terra, foi dado a ela o direito sobre tudo que há sobre a Terra.

 

As cores de Onilé são o branco e o marrom e sua saudação é “Ibá Onilé”.

 

 IROKO

IROKO 



Segundo mãe Stela de Oxóssi, Irôko é o orixá-árvore, também chamado de Loko ou até mesmo de tempo.

 

Em uma de suas histórias, ele é a primeira árvore do mundo e guarda grandes segredos e mistérios. Dessa forma, Irôko é associado à ancestralidade e ao tempo.

 

As cores de Irôko são o marrom e o verde e seu cumprimento é “Ìrókò iná iso èro”.


Cada orixá tem uma função específica, mas todos são associados à sobrevivência e ao estabelecimento das sociedades humanas. Desenvolvimento tecnológico (Ogum), medicina (Ossaim), justiça (Xangô), arte (Oxumarê), alimentação (Oxóssi) são alguns exemplos das funções que os orixás podem assumir.

 

Além do caráter comunitário e social das funções dos orixás, há, também, a perspectiva pessoal, pela qual os orixás ajudam os seus filhos a trilharem os seus caminhos, a viverem boas vidas e a serem a melhor versão de si mesmos.

 

A sacerdotisa Olori Iyánìfá Ifásèyé Odúsòlá Oládèyì Awólólá afirma sobre as funções do orixás:

 

“Òrìsàs, ainda que, em nossa existência, todes os seres humanos possuam ÒRÍ como sua divindade preexistente principal, os Òrìsàs são como tutores em nossa caminhada na Terra. Servindo de modelos para nossa trajetória comportamental e individual.”









 

 Babalorixá Adson  "Ojulomin".  

Qual a função da Casa ?

 

Ekedji Fernanda "Omin orô”

O significado!

 

  Orô O Culto Secreto Dos Yoruba

 

 

Oro - orun - orum - egum - egun - egungum Orô ou Orun é orixá, sendo um dos cultos mais secretos dos yoruba no país, está ligado ao Orixá Iku (a morte). Alguns dizem que o sistema do culto a Oro foram retiradas dos macacos vermelhos, chamados Ejimere. Trata-se de uma fundação cujo cargo é secreto, preparado pelos Babalawos em um frasco preto, lacrado com cimento que se destacam búzios 9 ou 18 como base, um caracol Cobo e, em alguns casos, as cabeças dos dois bonecos (um Obiní e um Okuni), também carregados com seus fundamentos.

 

Outro elemento que está ligado a Oro um bastão (pagugú) decorado em alguns casos a ponta com o tamanho de um crânio (uma caveira), cujos olhos são dois búzios são dadas a abertura natural para o interior, um facão, uma telha (Ikokó Kole Awadorono Unoricha) e um Exu de Oro montado sobre uma pedra (OTÁ) de recife poroso. Um elemento essencial do culto consiste em uma peça de ouro de metal plana ou uma superfície plana de madeira em forma de peixe com uma longa corda, que antigamente era amarrado a um poste. Quando o vento soprava se movia emitindo um som chamado Ejáoro (Pez de ORO). Essa é a voz de Oro.

 

Entre os Ijebu e Egba, o Oro é muito mais sagrado e importante que Egungun (culto aos espíritos “egum”, mantido aqui no Brasil, como na ilha de Itaparica). Nos tempos antigos, os membros da sociedade de Oro também foram os executores dos que praticavam crimes. Quando as pessoas foram condenadas à morte pelo tribunal Ogboni (sociedade secreta dos yorubas) eram os membros do culto a Oro que se encarregavam de executar a sentença dos condenados. Quando Oro saía à noite, aqueles que eram membros da seita tinha que ficar em casa e fora corriam risco de morrer (realmente é um culto muito perigoso e sagrado).

 

Outros energia da mesma classe são Igbis (árvores), por isso as montanhas ou as florestas são tão particular ao culto Egungun. No caso de Igbis, são personificadas por seres humanos mascarados têm uma imagem na cabeça. Entre Oyó (cidade africana do reino de Xangô), as pessoas de Jabata e Iseyin são os principais adoradores de Oro em cada ano tem 7 dias para a adoração (festa do culto). Durante todo o periodo do culto as mulheres ficam trancadas em casa, exceto por algumas horas, está autorizado a algumas exceções.

 

O sétimo dia ou mesmo que elas são permitidas e são mantidas rigorosamente fechadas. Por que não cumpram pena de morte certos meios deve ser executado, não importa o que o título, riqueza ou posição social que a mulher possua, a nenhuma mulher ousa olhar para Oro.

 

Oro orun egun, mascara africana O culto a Oro sem mantém vivo entre os Babalawos em Cuba, que são responsáveis por de iniciar os homens que desejam possuir o fundamento de Oro, aqueles pretendem ser Oriatés (babalorixá, pai de santo), de acordo com as verdadeiras tradições devem pertencer ao culto de Oro, que dispor de tempo para realizar uma Ituto (luto, cerimônia funebre) a fazê-lo com sabedoria. Os Jurados no Culto a Oro, após recebê-la e passar por rigorosos rituais, chamados Omo Oro (filhos de Oro) e se realiza um ita (iniciação, cerimônia leva nada menos que três Babalawos que por intermédio Orunla (Orunmila) e devem receber o Odu que os caracteriza dentro da Sociedade de Oro.

Questão de Orixá Oro:

 

Quem É Mais Forte Orô Ou Babá Egungun?

 

Resposta: É óbvio que é Oro, pois babá egungun é nada mais, nada menos que um zelador de santo (só um exemplo) que está sendo cultuado dentro do culto dos lesé egun, e Oro é o pai de todos os Eguns, é o capataz, Egungun é subordinado a Oro (deve obediência).

 

Por que nas casas de Candomblé (barracão, casa de santo, roça de santo) não cultuamos o Orixá oro, já que ele é um orixá indispensável dentro do culto ao afro?

 

Resposta: É simples, na migração do culto aqui para o Brasil foi perdido seus fundamentos, também o nosso culto foi muito propagado por mulheres (as mães de santo), já que as mulheres são proibidas de exercer ou manipular as energias de Oro (seus fundamentos e ibás). Como sabemos o culto a Oro pertencia as mulheres, mas elas foram castigadas por utilizarem o culto para suas aruaças e sendo banidos do culto para sempre, então o culto a Oro, Orun, Egungun é exclusivo de homens, tais como o culto a Geledé (Yamin Oxorongá, as mães ancestrais) é uma  exclusiva das mulheres.

 

 

 

 

 

 Yawô Gessica "Lewacy"

O significado !

 

Yawô é um termo iorubá (Ìyàwó) que designa os filhos de santo que já passaram pela iniciação no candomblé, mas ainda não completaram o período de 7 anos.

Processo de iniciação

O processo de iniciação é popularmente conhecido como "feitura de santo"

Durante o período de iniciação, o yawô passa por rituais de purificação, abstinências, raspagem da cabeça e rituais secretos

Após os 7 anos, o yawô se torna um ebomi ("irmão mais velho")

Após o período de 7 anos, o yawô tem o direito de receber sua bata, seu adeka ou um cargo

Significado de yawô

O yawô cede seu corpo para Orixá virar na terra

O yawô pisa descalço no chão para sentir o chão sagrado

O yawô recebe ordens e as aceita com amor

O yawô carrega seu mokan com orgulho, pois ele é o símbolo de sua existência

Saída de yawô

A saída de yawô representa a "renovação espiritual" da pessoa e sua integração definitiva como membro da comunidade do Candomblé

 

 

 Abiã João Vitor.

O significado!

O abiã é o termo que representa a pessoa que recentemente entrou para a religião do candomblé (novato), também chamado de filho de santo, após ter passado pelo ritual de lavagem de fio de contas e o bori (harmonização da ansiedade e dor). É o posição inicial hierarquica da religião, que poderá ser iniciada ou não, dependendo se o orixá solicitar este processo, passando a ser então um mebro iaô.

 

Descrição

 

Abiã é a posição inicial na hierarquia da religião (antecede a iniciação/iaô); que representa a pessoa novata na religião (não iniciado).

Devido isto não participa dos preceitos internos, apenas participa das festas públicas. Este ainda não possui um compromisso com o ilê (casa). Nesse período, terá a oportunidade de conhecer as pessoas e o funcionamento da casa. Caso algo não lhe agrade, poderá sair e procurar outra casa que seja do seu agrado ou de sua confiança.

 

Ao abiã, é permitido ajudar em quase todos serviços da casa/ilê - como por exemplo ajudar na limpeza dos animais que serão oferecidos em sacrifício - sempre orientado por um mais velho que diga o que ele pode ou não fazer. Essa fase é muito importante para se aprender vendo e ouvindo. As perguntas não são muito bem-vindas; observar e saber ouvir é a melhor maneira de se aprender. Quando um mais velho se dispor a falar, é recomendado abaixar-se e prestar atenção, com paciência e sem interrupção. Pois os mais velhos já estão cansados e não têm muita paciência para muitas perguntas que o abiã gostaria de fazer.

 

O abiã precisa ser submetido ao ritual ejé.



Tendo mais acesso a projetos vou trazer para dividir com você que deseja está por dentro da arte e cultura que acontece no nosso estado. 

Até a próxima...


Comentários

  1. Quero agradecer aos Babalorixás Naldo e Adson Alcântara , por seu convite , e por nos orientar no início de nossas pesquisas . Agradeço a acolhida no Xirê de Locação a Yemanjá. E agradecer por tudo mesmo. Esta é uma jornada de uma grande caminhada da reeducação de mentes para o respeito as diferenças.
    Os jovens precisam serem educados para respeitar e conviver com vários tipos de religiosidade. É um dos passos para o Conselho de Igualdade Racial e de Combate a intolerância religiosa e eu estarei com vocês nesta caminhada de reeducação e humanização da humildade.
    Um forte abraço a todos.
    Os irmãos que comentarem se identificando quanto qual Casa de Candomblé, Umbanda e demais ordens Iniciáticas. Receberam certificado de participação.

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